O Vampiro retorna e apesar da contradição me parece feliz. O que teria acontecido para deixá-lo assim?

Ele passa por mim e nada diz, ele se encaminha para um cômodo passa uns momentos lá e percebo através do relógio antigo que decora a casa que passei horas viajando em seu passado, lembro da visão maldita do espelho e torço para que nada tenha ficado impresso nele sobre mim.

Faltam menos de uma hora para o dia amanhecer a maldita canção da dor já soa branda em meus ouvidos. Ela ainda parece mais forte quando minha alimentação é recente.

Espero pelo menos que seu retorno tenha sido pra me gerar acomodações adequadas a minha pessoa. Estou cansada de me revirar em quartos evitando a luz. Ele retorna secando o rosto. Um cheiro feminino está presente nele bem fraco, deve ser de uma lacaia ou de alguém que ele deve estar se divertindo. 

Ele se senta em minha frente e começa a falar.

- Me desculpe Eva, mas não imaginava que você chegaria hoje a minha casa, apesar do convite não acreditava que você apareceria de surpresa.

- Bem vampiro – ele se remoe quando o chamo assim – após a invasão que você cometeu me dei ao direito de agir da maneira que eu quisesse. Quanto a minha estadia aqui espero que não seja monótona, já pude provar os sentimentos de estar ao seu lado e sei o quanto sua presença pode ser prazerosa. Porém no pouco tempo que estive aqui fui desprezada, espiada por um fantasma e deixada em uma casa com pouquíssimas presenças que eu pudesse me divertir. Afinal o que andou fazendo regou seu jardim com água benta, que tipo de lugar é esse.

Ele disfarça um pouco.

- Bem, o que você tem feito nesses anos que eu desapareci?

- Não acredito nisso, não é possível que você me chamou aqui porque está nostálgico e resolveu bater um papo com uma velha companhia.

Ele tenta balbuciar algo e interrompo.

- A propósito me acomode em algum lugar pois essa noite já foi muito longa a sinfonia está me incomodando e preciso de um lugar confortável para descansar, pelo menos provenha algo útil para sua visita. Deixemos essa conversa para amanhã, afinal se você estava com pressa que tivesse tratado do que devia de imediato.

Noto que o tiro um pouco do sério, seu semblante muda, me levanto e subo as escadas calmamente afinal, a casa já me disse boa parte do que eu precisava e já sei onde serão meus aposentos.

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