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	<title>A Trindade</title>
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	<description>Três imortais, uma maldição e um desejo em comum.</description>
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		<title>2.5 Recíproca e dissimulação</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Mar 2011 03:36:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[A Trindade]]></category>
		<category><![CDATA[Capítulo 2]]></category>
		<category><![CDATA[artimanha]]></category>
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		<description><![CDATA[O Vampiro retorna e apesar da contradição me parece feliz. O que teria acontecido para deixá-lo assim?
Ele passa por mim e nada diz, ele se encaminha para um cômodo passa uns momentos lá e percebo através do relógio antigo que decora a casa que passei horas viajando em seu passado, lembro da visão maldita do espelho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">O Vampiro retorna e apesar da contradição me parece feliz. O que teria acontecido para deixá-lo assim?</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">Ele passa por mim e nada diz, ele se encaminha para um cômodo passa uns momentos lá e percebo através do relógio antigo que decora a casa que passei horas viajando em seu passado, lembro da visão maldita do espelho e torço para que nada tenha ficado impresso nele sobre mim.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">Faltam menos de uma hora para o dia amanhecer a maldita canção da dor já soa branda em meus ouvidos. Ela ainda parece mais forte quando minha alimentação é recente.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">Espero pelo menos que seu retorno tenha sido pra me gerar acomodações adequadas a minha pessoa. Estou cansada de me revirar em quartos evitando a luz. Ele retorna secando o rosto. Um cheiro feminino está presente nele bem fraco, deve ser de uma lacaia ou de alguém que ele deve estar se divertindo. </span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">Ele se senta em minha frente e começa a falar.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">- Me desculpe Eva, mas não imaginava que você chegaria hoje a minha casa, apesar do convite não acreditava que você apareceria de surpresa.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">- Bem vampiro &#8211; ele se remoe quando o chamo assim &#8211; após a invasão que você cometeu me dei ao direito de agir da maneira que eu quisesse. Quanto a minha estadia aqui espero que não seja monótona, já pude provar os sentimentos de estar ao seu lado e sei o quanto sua presença pode ser prazerosa. Porém no pouco tempo que estive aqui fui desprezada, espiada por um fantasma e deixada em uma casa com pouquíssimas presenças que eu pudesse me divertir. Afinal o que andou fazendo regou seu jardim com água benta, que tipo de lugar é esse.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">Ele disfarça um pouco.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">- Bem, o que você tem feito nesses anos que eu desapareci?</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">- Não acredito nisso, não é possível que você me chamou aqui porque está nostálgico e resolveu bater um papo com uma velha companhia.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">Ele tenta balbuciar algo e interrompo.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">- A propósito me acomode em algum lugar pois essa noite já foi muito longa a sinfonia está me incomodando e preciso de um lugar confortável para descansar, pelo menos provenha algo útil para sua visita. Deixemos essa conversa para amanhã, afinal se você estava com pressa que tivesse tratado do que devia de imediato.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 15.9pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 11pt">Noto que o tiro um pouco do sério, seu semblante muda, me levanto e subo as escadas calmamente afinal, a casa já me disse boa parte do que eu precisava e já sei onde serão meus aposentos.</span></p>
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		<title>2.4 Impressões, histórias contadas pela casa</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Sep 2010 19:10:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[A Trindade]]></category>
		<category><![CDATA[Capítulo 2]]></category>
		<category><![CDATA[décadas]]></category>
		<category><![CDATA[experimento]]></category>
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		<description><![CDATA[O ar da sala está gelado. Após a saída dele não escuto mais nada, a vizinhança parece ser tranqüila e uma casa é bem distante da outra. É possível sentir parte da dissonância e da distorção presente, mas de maneira tênue.
O vampiro parece estar diferente.
Viajei muito e no dia que chego acontece isso, sou espreitada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ar da sala está gelado. Após a saída dele não escuto mais nada, a vizinhança parece ser tranqüila e uma casa é bem distante da outra. É possível sentir parte da dissonância e da distorção presente, mas de maneira tênue.</p>
<p>O vampiro parece estar diferente.</p>
<p>Viajei muito e no dia que chego acontece isso, sou espreitada por um morto e desprezada pelo anfitrião, mesmo que educadamente. O seu desespero era grande quando me abordou telepaticamente, uma agressão pra falar a verdade e sei que ele prefere ser sutil, até mesmo quando matava milhares sua aproximação era calma e provocava muitas vezes um pânico maior que as grandes chacinas da humanidade criavam.</p>
<p>Poderia andar pelos arredores do bairro, não, estou saciada e não acredito que esse local medíocre possa me oferecer algo que mereça atenção.</p>
<p>Bem, já que estou aqui e não tenho respostas dele talvez sua casa possa me dizer algo sobre seus últimos dias e me preparar para o que está por vir&#8230; Afinal o que senti no jardim não foi suficiente e já que suas últimas palavras foram me oferecer à morte, eu preciso está precavida para o pior ou o melhor. Sorrio suavemente ao pensar em invadir seus momentos e intimidades.</p>
<p>Poderia fazer isso como uma adolescente ávida por saber algo novo percorrendo todos os cômodos da casa, seria no mínimo divertido, na verdade não levo mais jeito para isso e minha experiência já me permite tocar todo esse ambiente apenas me concentrando.</p>
<p>Sento novamente na poltrona e começo a respirar fundo, aos poucos vou anulando minha presença e percebendo as impressões que a música e as cores dos movimentos que aqui estiveram deixaram. Deixo minha percepção fluir pelo tempo, ter visto seu antigo lacaio já me dá uma boa opção de âncora para saber por onde começar.</p>
<p>Apesar de suas vestes serem atuais existem sempre alguns objetos que as pessoas de longa vida se apegam e nos dá um momento, um registro pequeno mais forte, neste caso, um relógio de bolso com a corrente trabalhada provavelmente um presente de seu mestre.</p>
<p>Vejo-o entregando o relógio como um presente de fidelidade. O sangue é passado do mestre ao lacaio, um verdadeiro banquete, esta casa sendo devidamente arrumada como se fosse escolhida em um local para durar as décadas que se permitissem, acredito que o local foi escolhido com calma em uma preparação maior.</p>
<p>A casa é antiga mais foi renovado através do tempo, o jardim era cuidado constantemente. Nele existiam rosas, um excelente artifício para ocultar o cheiro de morte.</p>
<p>Algumas notícias desagradáveis, o que é normal no que nossa presença trás.</p>
<p>Sangue sendo estocado, ele não deu a vida eterna ao lacaio, mas garantiu com tantos cálices de sangue que ele vivesse o suficiente, parece a preparação pra um experimento.</p>
<p>O vampiro se dirige ao canto e levanta um grosso pano revelando um espelho — ahrrrgggg — caio ao chão ao ver meu reflexo, odeio isso, é difícil manter o foco em uma leitura quando me vejo no espelho, não importa se eu estava presente essa coisa maldita sempre me revela.</p>
<p>Puxo o ar de volta aos pulmões me recobrando. Preciso tomar cuidado, pois mesmo em uma leitura posso deixar impressões no passado e um reflexo meu seria como uma denúncia, que apareceria em sua memória no presente.</p>
<p>Após alguns minutos, volto a me concentrar, e vejo-o se encarando vendo a besta dentro dele e dizendo que está pronto ao lacaio, ele se deita e dorme profundamente. Naquele quarto somente o lacaio entra  e vai o mantendo coberto e protegido do sol e verificando seu corpo.</p>
<p>O lacaio envelhece lentamente, a vizinhança a volta se forma, aos poucos o dinheiro e algumas relíquias que enchiam a casa vão desaparecendo. Mas durante seu sono alguém parece que visita a casa, alguém conversa com lacaio, mas não entra parece uma rotina, coisas de mortais suponho.</p>
<p>O lacaio por fim morre, anos se passam, e por fim ele desperta, ele busca por um espelho e aparentemente gosta do que vê. Estranho esse confronto particular dele com sua imagem.</p>
<p>Ouço um barulho na porta e desperto de meu transe.</p>
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		<title>2.3 Poucas palavras</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Sep 2010 01:59:38 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Capítulo 2]]></category>
		<category><![CDATA[aparição]]></category>
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		<description><![CDATA[Ao entrar ele me diz para ficar a vontade e sobe com minhas malas. Devo admitir, ele está mais cortês do que a última vez que nos vimos e que nos falamos.
Ando pela sala e me sento longe de um grande espelho que está coberto, minha vida me fez aprender a não gostar deles, isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao entrar ele me diz para ficar a vontade e sobe com minhas malas. Devo admitir, ele está mais cortês do que a última vez que nos vimos e que nos falamos.</p>
<p>Ando pela sala e me sento longe de um grande espelho que está coberto, minha vida me fez aprender a não gostar deles, isso me protege do desagrado e da revelação. Na poltrona sinto outro cheiro, ele parece ter recebido visita e por incrível que pareça, seja quem for deixou vagas impressões, mas um desejo forte.</p>
<p>Noto um vulto se esgueirando pela porta do que parece ser a cozinha e vejo o fantasma, deve ser seu último lacaio, penso. Levanto-me e vou até a porta.</p>
<p>— Ainda protege seu mestre criatura? Isso tudo ainda é desejo pelo sangue dele ou será que você possui uma real fidelidade? O que o mantém preso a essa casa? Vamos diga?</p>
<p>Falo com mais rispidez e avançando pra cima da aparição aguardando uma resposta, mas ela apenas se encolhe ao canto como se estivesse com medo.</p>
<p>Escuto os passos do vampiro descendo a escada e no momento que ele aparece na sala me olhando a campainha toca.</p>
<p>Ele me faz um breve sinal, abre apenas uma pequena parte da porta e fala algo a alguém. O vampiro anda em minha direção e fala o quão importante que conversemos, mas que naquela noite ele tem um compromisso que não poderia remarcar. Sua mão acaricia meu rosto e sinto um pedido de compreensão.</p>
<p>— Vá, posso aguardar mais um pouco afinal, não vim apenas para um dia.</p>
<p>Ele se vira e parte.</p>
<p>Quando retorno minha atenção para a aparição ela apenas diz:</p>
<p>— Ela ainda não veio me buscar e some pelo chão, deixando-o frio.</p>
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		<title>2.2 Tensão em um toque</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 00:27:24 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Capítulo 2]]></category>
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		<description><![CDATA[Finalmente cheguei, as rosas estão lindas em seu jardim e sinto o cheiro de sangue nelas.
Ele realmente não se contenta tem que se exibir, mas o compreendo. Tal método o ajuda a ocultar o cheiro dos mortos que existe na casa. Apesar que&#8230;
Por um momento fico pensativa, não sinto tensão, nem violência no ar, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Finalmente cheguei, as rosas estão lindas em seu jardim e sinto o cheiro de sangue nelas.</p>
<p>Ele realmente não se contenta tem que se exibir, mas o compreendo. Tal método o ajuda a ocultar o cheiro dos mortos que existe na casa. Apesar que&#8230;</p>
<p>Por um momento fico pensativa, não sinto tensão, nem violência no ar, mas sinto um cheiro característico de anêmona, mas não há nenhuma delas pelo jardim.</p>
<p>Solto a mala e deixo minhas mãos livres para sentir, vou passando-as pelas flores e apesar delas estarem famintas por mais uma dose de vida o que as regou estava dotado de um autocontrole nunca visto por mim, teria ele vencido a fome, me pergunto.</p>
<p>Minhas mãos tocam a porta, a solidão da madeira e do que resta na casa sussurra em meus ouvidos, a aspereza dela me lembra a separação, o frio contido, algo pronto para bater num único solavanco e se fechar, encarcerando o que devia ser dito&#8230;</p>
<p>Existem farpas&#8230; medo&#8230; o toque que deveria ser caloroso, é gélido, e encarcera verdades, mesmo com milênios de vida e conhecimento é quase que impossível ler alguém que tem séculos de vida. Em alguns pontos ela se enfraqueceu mais ainda resiste, guarda e separa algo, mas espere&#8230; houve risos recentemente, uma companhia que não conheço, o perfume de anêmona passou por essa porta. Mas pouco consigo descobrir sobre essa pessoa.</p>
<p>Meus pensamentos se voltam ao sugador e percebo que ao mesmo tempo em que toco a porta procurando respostas o sinto do outro lado fazendo o mesmo, escuto então em tom cálido, um convite para que eu entre.</p>
<p>Logo após a porta se abre e ao olhá-lo descubro que queria que o jardim e a porta tivessem mais a me dizer sobre quem eu estou encontrando.</p>
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		<title>2.1 Medusa</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Jul 2009 00:43:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
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		<description><![CDATA[Estranho, ele sempre foi autosuficiente, não esperava nunca que ele entrasse em contato comigo, e ainda pior dessa maneira tão invasiva.
Valorizo ter pelo menos meus pensamentos intactos e somente meus. Mas o sugador dificilmente recorre a ajuda, quem dirá pedir algo a mim, existe algo estranho e prefiro esconder meus pensamentos dele por enquanto. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estranho, ele sempre foi autosuficiente, não esperava nunca que ele entrasse em contato comigo, e ainda pior dessa maneira tão invasiva.</p>
<p>Valorizo ter pelo menos meus pensamentos intactos e somente meus. Mas o sugador dificilmente recorre a ajuda, quem dirá pedir algo a mim, existe algo estranho e prefiro esconder meus pensamentos dele por enquanto. O tempo longe dele me fez descuidar da sua presença e por isso ele conseguiu me tocar assim, existem feridas que nunca se curam e este maldito parece saber disso ou seu instinto, sua besta, sua alma deformada simplesmente ignora. Ainda hoje me lembro do dia que ele me disse que ficaria longe de mim e do outro para que se afastasse das trevas&#8230; imortal arrogante e presunçoso.</p>
<p>Preciso me revigorar, com um suspiro sinto os pecados e almas a minha volta, parte deles me preenchem, preciso estar um mínimo recomposta para achar uma vítima. O que é ruim é o tempo que passei sem me alimentar me trouxe contra-tempos. Sei que agora não estou no meu auge, mas nesse bairro que estou tenho certeza que não me faltarão oportunidades, pecados e almas.</p>
<p>Desço pelas escadas espremidas, a tortura da decadência desse lugar a impressão do sofrimento dos que viveram aqui, ainda impregna o ambiente. O toque de minhas unhas na parede faz algumas almas que aqui circulam estremecerem. Finalmente sorrio com gosto, mas me alimentar dos mortos não é tão revigorante, aliás pra falar a verdade apenas um era.</p>
<p>A cidade, posso sentir alguns moribundos perdidos em suas alucinações, eles servem em parte, o fato de não estarem sãos o suficiente faz com que o pecado se perca e suas almas se tornem menos doces, aquela perdida na esquina valeria uma boa briga, mas a ira e inveja que ela sente por mim, não seriam suficiente.</p>
<p>Não, preciso de algo mais palpável, com mais calor, algo com mais <em>luxúria</em>.</p>
<p>Ao pensar nisso vejo um carro se aproximando dela e simplesmente paro, fingindo estar querendo atravessar a rua, basta um olhar de canto para o carro e o motorista subtamente reduz a velocidade para mim, ela percebe e se inoja, deve imaginar como faço isso, o que ela não compreende que eu apenas sou um reflexo do que desejam, do que querem, no canto de minha boca se esboça um sorriso e em poucas palavras entro no carro e lá descubro meu destino.</p>
<p>O hotel, transpira a executivos sedentos, vaidade, ira, inveja, avareza, gula e impregnado de lúxúria, meu suposto amante não espera por menos. O envolvo com meu corpo, circundando-o como uma cobra,  ele está perdido em pensamentos do que fazer comigo, ele pergunta meu nome e  eu sibilo <em>Eva</em>, ele se sente confortável em meus braços e quando o olho nos olhos o paraliso e por alguns instantes apesar de extasiado de prazer ele confronta todos os seus proprios pecados, ele descobre o que há de bom na sua alma, mas ao mesmo tempo ela se esvai para dentro de mim, me recompondo, me trazendo toda a juventude que preciso e energia para meu futuro encontro, gargalho enquanto vejo seus olhos perdidos e clementes.</p>
<p>Saio de sua cama, ele já foi devidamente devorado, enquanto coloco minhas roupas de volta, tenho uma visão breve de seu futuro, ele vai se atrasar amanhã está petrificado, hipnotizado por mim e pelo reflexo de seus pecados, mas ao invés de redenção, ele abraçará tudo isso e dará mais um passo para as trevas que já o seduzem.</p>
<p>Volto caminhando para casa me deliciando com a noite, vejo o nascer do sol, ao contrário do sugador o sol não me fere, mas incomoda.</p>
<p>O acordar de minha vítima ecoa em minha mente, de certa forma sempre fica um vínculo por um tempo, mas não me preocupo por ele, afinal sou apenas um de seus poucos pecados.</p>
<p>Vou arrumar minhas malas e ir ao encontro do sugador, sua proposta foi no mínimo interessante, pra não dizer tentadora e de certo isso me alimenta.</p>
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		<title>Cap 2 &#8211; A precursora</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 02:00:37 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Eu sou a primeira a questionar; a vivenciar e a sofrer com a primeira guerra da humanidade. A chorar pela morte de um filho e pela punição de outro. Sou a peça que completa a criação, e que dá poder ao homem de se replicar a imagem e semelhança. Sou o berço. Sou a emoção, a sensação, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sou a primeira a questionar; a vivenciar e a sofrer com a primeira guerra da humanidade. A chorar pela morte de um filho e pela punição de outro. Sou a peça que completa a criação, e que dá poder ao homem de se replicar a imagem e semelhança. Sou o berço. Sou a emoção, a sensação, a entrega, a percepção de todos os sentidos que <em><strong>Você</strong></em> nos deu.</p>
<p>Sou o desejo, a curiosidade, e todos os impulsos que meus sentidos e sentimentos permitem. Dei o verdadeiro significado ao livre-arbítrio, ao não me submeter a ordens, ao te desafiar e a arcar com todas as consequências. Vi a morte de meu marido cercada de arrependimento em toda sua longevidade. E, ainda assim, apesar dele ser seu maior reflexo, morreu como todos os outros.</p>
<p>Desafiei-o novamente por sentir. E, como se não bastasse a primeira mordida, realizei a segunda com todo o prazer que podia ter. Sou aquela que o desafiou pelo conhecimento de si mesma.</p>
<p>Eu sou a mulher. Não a escolhida pra ser a sua grande genitora, mas sim para ser a primeira em caminhar e desafiar. Eu sou a fruta, o pecado, a materialização de todos os prazeres; aqueles que nos foram dados e negados e que são meu alimento, meu sustento, minha imortalidade, meu reflexo.</p>
<p>Me apresento, sou Eva.</p>
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		<title>Abertura Capítulo 2</title>
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		<pubDate>Mon, 18 May 2009 01:06:52 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Sem pecado, nada de sexualidade, e sem sexualidade, nada de História.&#8221;
Autor: Kierkegaard, Soren
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em><span style="font-family: Georgia,Times New Roman,Times,serif; font-size: small;"><strong>&#8220;Sem pecado, nada de sexualidade, e sem sexualidade, nada de História.&#8221;</strong></span></em><br />
<br /><span style="font-family: Georgia,Times New Roman,Times,serif; font-size: small;"><strong>Autor:</strong> Kierkegaard, Soren</span></p></blockquote>
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		<title>1.7 Tempestade de incertezas</title>
		<link>http://edumorcillo.com.br/reflexos/?p=68</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 01:13:42 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Acordo, já se passaram dois dias desde o contato com ela e nada. Já tentei sentir seus pensamentos, procurar por respostas, mas parece que tudo está fechado para mim. Talvez eu tenha exagerado um pouco, não sei, posso dizer por mim, mas quando se vive muito você acaba preferindo que algumas coisas ocorram de maneiras [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Acordo, já se passaram dois dias desde o contato com ela e nada. Já tentei sentir seus pensamentos, procurar por respostas, mas parece que tudo está fechado para mim. Talvez eu tenha exagerado um pouco, não sei, posso dizer por mim, mas quando se vive muito você acaba preferindo que algumas coisas ocorram de maneiras mais imediatas, rodeios se tornam um jogo apenas prazeroso com suas presas, fora isso a espera se torna uma monotonia.</p>
<p style="text-align: left;">O silêncio me perturba. Não encontro sua mente de maneira nenhuma, mas sei o quanto ela é ardilosa e que isso seja apenas um sinal para que eu tome mais cuidado.</p>
<p style="text-align: left;">A casa está molhada, uma tempestade está caindo violentamente e muito mal havia notado. Começo a fechar as janelas do andar de baixo, as deixo sempre aberta para que o ar circule e leve o cheiro de morte para longe, apesar de a muito acreditar que isso não seja mais possível.</p>
<p style="text-align: left;">Quando estou perto da porta noto um vulto parado próximo a ela, como predador meus instintos se acendem e sinto o perfume, o mesmo que já havia sentido antes, e agora mais forte eu tenho certeza é um cheiro peculiar da flor anêmona. Sem me preocupar devido a silhueta feminina, penso que ela finalmente chegou e de alguma maneira se ocultou de mim.</p>
<p style="text-align: left;">Abro a porta rapidamente e pra meu espanto, vejo apenas uma mulher, jovem com cabelos e roupas bem molhados e assustada. Ela me diz tremendo que estava batendo a porta um bom tempo pedindo ajuda, permito que ela entre pra se secar, a tempestade realmente está muito forte.</p>
<p style="text-align: left;">Nada tinha para lhe oferecer a não ser uma toalha e um cobertor, ela se seca no banheiro e retorna envolvida no cobertor tentando se aquecer, evito o contato direto, posso me sentir tentando a sugar a vida de seu corpo, afinal me pergunto em pensamento por onde anda a bruxa.</p>
<p style="text-align: left;">Minha visita percebe que apesar da minha presença física meus pensamentos vagueiam longe e por fim ela fala.</p>
<p style="text-align: left;">- Me desculpe, eu moro na casa próxima aqui, apesar de ser possível vê-la a tempestade me deixou bem assustada.</p>
<p style="text-align: left;">- De qual casa vocês está falando?</p>
<p style="text-align: left;">- Me desculpe meu nome é Wanda, moro na próxima quadra, acho que você já me viu, e o seu?</p>
<p style="text-align: left;">- É&#8230; me desculpe, como disse?</p>
<p style="text-align: left;">- Meu nome é Wanda e o seu?</p>
<p style="text-align: left;">Paro e penso um pouco &#8211; De onde mesmo eu tinha visto você?</p>
<p style="text-align: left;">- Na noite em que você regava o jardim eu o observava.</p>
<p style="text-align: left;">Realmente o cheiro é o mesmo daquela noite, respiro fundo, meus ouvidos e meus pressentimentos indicam que a tempestade vai persistir, será uma noite longa e em minha cabeça só residem dúvidas sobre tudo isso que está acontecendo.</p>
<p style="text-align: center;">***FIM DO CAPITULO 1***</p>
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		<title>1.6 A pergunta&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 01:39:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Capítulo 1]]></category>
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		<description><![CDATA[Quase imperceptível para mim, mas quando olho o jardim pela janela, sinto as rosas mais vermelhas que o normal, seus espinhos maiores, e o cheiro delas misturados a um leve aroma de sangue. Isso é um sinal de que meu corpo já se fortaleceu desde meu último despertar.
Negar o sangue humano torna minha recomposição muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quase imperceptível para mim, mas quando olho o jardim pela janela, sinto as rosas mais vermelhas que o normal, seus espinhos maiores, e o cheiro delas misturados a um leve aroma de sangue. Isso é um sinal de que meu corpo já se fortaleceu desde meu último despertar.</p>
<p>Negar o sangue humano torna minha recomposição muito mais lenta.</p>
<p>Hoje estou pronto, sento numa pequena poltrona que me serviu por séculos, relaxo, deixo minha mente se soltar, minha percepção se estende. Então com um simples pensar meu sangue fervilha dentro de mim, minha pele ganha o rubor dos vivos, o poder cresce e toma conta de mim, mantenho-me focado em alcançar uma única pessoa, finalmente a vejo&#8230;</p>
<p>Ela vira em minha direção com rapidez e grita:</p>
<p>- SAIA DE MINHA MENTE VAMPIRO!</p>
<p>- Acalme-se mulher, achei que todos esses anos afastados de você me trariam no mínimo uma recepção mais calorosa.</p>
<p>- Por anos, espreitei você esperando que morresse, até que desisti e toda a noite comemorava seu desaparecimento, agora você toca minha mente novamente sem permissão.</p>
<p>- Calada, não vou esperar por sermões de alguém que se mantém viva através da libido dos mortais. Você os seduz e devora.</p>
<p>- Diga-me Vlad, afinal por que se dar ao trabalho de tocar as trevas para falar comigo, deseja algum favor novamente?</p>
<p>Ou apenas quer desfrutar de mim?</p>
<p>- Não pronuncie este nome, há tempos que não atendo por ele e gostaria que permanecesse no passado. E você diga-me por qual nome atende agora?</p>
<p>- Afinal o que quer sugador do néctar sagrado, diga, não tenho tempo ou desejo participar de seus jogos mentais.</p>
<p>- Você pode vir até mim?</p>
<p>- Por que não fizeste como no passado e me convocaste?</p>
<p>- Porque preciso de você ao meu lado por livre arbítrio.</p>
<p>- Para que?</p>
<p>- Tudo depende de uma única resposta a minha pergunta.</p>
<p>- Vamos empalador, diga logo o que veio me propor&#8230;</p>
<p>Ao ouvir a palavra empalador a besta de dentro de mim se contorce e sorri, chego a suar sangue para controlar meu corpo a não recorrer a velhos instintos. Ela percebe e sorri.</p>
<p>- Vamos Vlad, ou ainda está perdido no passado&#8230;</p>
<p>- Apenas RESPONDA! &#8211; me descontrolo.</p>
<p>- VOCE AINDA DESEJA MORRER?</p>
<p>O silêncio percorre minha mente após a pergunta e repentinamente saio de meu transe.</p>
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		<title>1.5 Fragmentos</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 17:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Capítulo 1]]></category>
		<category><![CDATA[amaldiçoados]]></category>
		<category><![CDATA[imagem]]></category>
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		<description><![CDATA[Mais uma noite após meu longo descanso, hoje minha mente já está pronta pra juntar os pedaços, sonhei durante décadas mais ao contrário das outras vezes que optei em dormir por tanto tempo, dessa vez sonhava de maneira quase que completa, são poucos os pedaços que tenho que juntar.
Após saciar minha fome com algum rato, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma noite após meu longo descanso, hoje minha mente já está pronta pra juntar os pedaços, sonhei durante décadas mais ao contrário das outras vezes que optei em dormir por tanto tempo, dessa vez sonhava de maneira quase que completa, são poucos os pedaços que tenho que juntar.</p>
<p>Após saciar minha fome com algum rato, vou a janela e vejo o jardim vivo, respirando sinto as roseiras e as árvores tentarem se curvar em minha direção como se pedissem mais de meu sangue. Vou regá-las enquanto penso.</p>
<p>O cheiro do jardim agora oculta o cheiro de morte que esse grande sarcófago que chamo de casa é, enquanto ouço cada gota tocando a vegetação e a fazer estremecer, minha mente corre pelo mundo sentindo antigos companheiros, pessoas, criaturas, amaldiçoados que durante minha existência tive contato, o simples toque de meu pensamento fazem algum deles reagir percebendo que estou acordado novamente e &#8220;vivo&#8221;. Esse simples exercício clareia as imagens, as une e confirma meus pressentimentos. Sim agora eu sei com quem sonhei e o que eu vi, mas existe uma quarta presença, quase imperceptível pra mim, é como se ela não existisse, seria essa parte uma premonição&#8230;</p>
<p>Já tive algumas mas sempre conseguia encontrar uma âncora atual que me ligasse a ela, dessa vez nada, não faço idéia quem seja o jovem dos meus sonhos apesar da familiaridade, mas os outros reflexos que vi no espelho tenho certeza, preciso encontrar novamente a Sedutora e o Lobo.</p>
<p>Uma brisa, sinto um perfume, novamente a janela acesa da noite anterior, mas agora sem vulto e sem mulher, apenas a lembrança de que alguém estava ali representada pelo tremular das cortinas. Estranho, é a segunda vez que sou surpreendido. Talvez deva visitá-la, mas isso vai me levar próximo demais do sangue mortal.</p>
<p>Talvez isso seja um aviso do quão devo me recompor antes de encontrar e confrontar os amaldiçoados de meu sonho.</p>
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