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	<title>A Trindade</title>
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	<description>Três imortais, uma maldição e um desejo em comum.</description>
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		<title>Prelúdio</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 00:41:44 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Aaaaahhhhhhhhhhhh! Pesadelos. Visões. O despertar nunca foi mesmo uma das melhores experiências. Sinto falta de quando o ar enchia meus pulmões nesses momentos. Para falar a verdade, esta é apenas uma das sensações que há muito não sinto. O cheiro da casa está insuportável; o mofo está corroendo tudo.
A cada ciclo consigo ficar mais tempo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aaaaahhhhhhhhhhhh! Pesadelos. Visões. O despertar nunca foi mesmo uma das melhores experiências. Sinto falta de quando o ar enchia meus pulmões nesses momentos. Para falar a verdade, esta é apenas uma das sensações que há muito não sinto. O cheiro da casa está insuportável; o mofo está corroendo tudo.</p>
<p>A cada ciclo consigo ficar mais tempo em torpor. Isso me afasta dos pecados e da sede. Não. Não estou enganado. Não faz nem um minuto que acordei e já sinto fome. Devo resistir…</p>
<p>Vago pela casa em busca de um espelho. Na gaveta! Antes da casa ser lacrada, lembro de dar ordens para que um espelho fosse deixado na gaveta. Minhas mãos trêmulas o alcançam. Temo o que posso ver. Lá estou eu: uma imagem pálida. Sorrio e, neste momento, noto algo mais forte aparecendo.</p>
<p>Ainda não estou livre. Ria de mim. Você ainda me devora por dentro. Grito.</p>
<p>Preciso organizar as ideias; as visões não me abandonam. Preciso me concentrar; descobrir quanto tempo dormi e entender todas as visões que tive. Se eu conseguir ver, nem que seja minha breve silhueta real, é sinal de que, de alguma maneira, estou perto da verdade.</p>
<p>Preciso encontrar outros. Eles são peças-chave, Eles devem saber, sim…</p>
<p>Não consigo me concentrar. Preciso mesmo é comer.</p>
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		<title>Fome</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Oct 2008 10:53:28 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Já é manhã e posso ver os corpos espalhados pela casa. Me sinto completo, forte. Mas não estou satisfeito. Eles nunca vão ser capazes de me satisfazer. A alma humana possui um néctar especial, inigualável, e me lembra a primeira vez que senti o doce sangue do Filho.
Os ratos podem ter me saciado. Mas, mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já é manhã e posso ver os corpos espalhados pela casa. Me sinto completo, forte. Mas não estou satisfeito. Eles nunca vão ser capazes de me satisfazer. A alma humana possui um néctar especial, inigualável, e me lembra a primeira vez que senti o doce sangue do Filho.</p>
<p>Os ratos podem ter me saciado. Mas, mesmo com o descanso longínquo, não consigo esquecer o sabor e um dos poucos desejos que me resta. Sei que, quando tiver meu primeiro contato com mortais, será difícil segurar o que existe dentro de mim.</p>
<p>Espero já estar forte o suficiente para resistir e continuar em minha dieta.</p>
<p>Meu corpo se fortalece. Começo a sentir e perceber muito além da construção onde estou. Escuto a sinfonia novamente. Cada um de meus passos arranha suas notas. Ela me conta que existem mortais por perto. Recuso a ouvir; sinto a presença de seus filhos, mas não me submeterei a pecar sobre eles. A fome e meu demônio interno não serão mais fortes do que meus anseios. Hoje, sinto fome de vida. Não mais da vida alheia, mas da minha própria vida.</p>
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		<title>Abertura Capítulo 1</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2008 12:02:53 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Tiveste sede de sangue, e eu de sangue te encho!&#8221;
Autor: Alighieri, Dante
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			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em><span style="font-family: Georgia,Times New Roman,Times,serif; font-size: small;"><strong>&#8220;Tiveste sede de sangue, e eu de sangue te encho!&#8221;</strong></span></em><br />
<br /><span style="font-family: Georgia,Times New Roman,Times,serif; font-size: small;"><strong>Autor:</strong> Alighieri, Dante</span></p></blockquote>
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		<title>Cap1 &#8211; O devorador da vida</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2008 17:43:09 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Assisti os últimos momentos da agonia de seu Filho, confirmei sua morte com uma lança em seu coração e fui atirado a escuridão, que invadiu os céus daquele dia sem perdão, quando senti seu sangue em meus lábios. Fui condenado a nunca mais alcançar o Reino, a vagar interminavelmente, naquele dia fiquei fadado a ouvir somente a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti os últimos momentos da agonia de seu <em><strong>Filho</strong></em>, confirmei sua morte com uma lança em seu coração e fui atirado a escuridão, que invadiu os céus daquele dia sem perdão, quando senti seu sangue em meus lábios. Fui condenado a nunca mais alcançar o Reino, a vagar interminavelmente, naquele dia fiquei fadado a ouvir somente a sinfonia do anoitecer, só de ouvir as primeiras notas da manhã meu corpo já se inundava em dor e quando descobri que podia ter semelhantes a mim, meu ato se reverteu como objeto de destruição deles.</p>
<p>Como presente a mesma escuridão que me atiraste me ensinou a beber o nectar da vida.</p>
<p>Séculos passaram, percebi que mesmo sem alma ainda era acometido das fraquezas mortais e em uma delas encontrei forças para tentar encontrar a luz, a mando de homens do sacerdócio fui ordenado a fazer o que a minha longinqua não vida me ensinou a fazer de melhor MATAR. Empalei milhares em seu nome, o mesmo que havia feito com seu filho, fiz em seus inimigos em troca de perdão e como presente novamente fui rejeitado e descobri que por infortúnio do destino eu acho, a pessoa que eu mais amava teria um destino como o meu mas separada de mim, a morte ela procurou mas seria negado a ela a entrada em seu Reino.</p>
<p>Desapareci, me esgueirei pelos séculos tornando minha existência desapercebida, tentei voltar a humanidade ainda no velho mundo onde meus pecados foram aprisionados em uma pintura, quando depois de muito afastado da sociedade pude ver meu rosto que pouco a pouco revelava quem eu era nem por métodos arcaícos minha verdadeira imagem poderia ser ocultada. Assumi quem eu era e aterrorisei os que estavam em minha volta. E então desapareci&#8230;<br />
O tempo me levou a outros amaldiçoados, presenciei muitas coisas estranhas, ao encarar quem eu era descobri que existia um enigma em minha imagem, uma nota diferente, e de outros. Lá talvez fosse o primeiro sinal pro caminho mais difícil que devia trilhar em minha vida.</p>
<p>Após algumas pesquisas em textos perdidos fui pouco a pouco refazendo minha imagem, espero que esse novo despertar seja a última fase da minha suposta vida e que eu tenha forças pra realizar o que desejo.</p>
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		<title>1.1 Consciência</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2008 22:44:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No começo era estranho, quando a luz do sol aparecia mesmo quando eu estava protegido o desconforto era enorme, ficava acordado sentindo percebendo tudo ao meu redor, mas nada fazia sentido e minhas entranhas se reviravam constantemente. As noites após ter passado os dias acordados não eram diferentes parecia que eu adoecia em ficar ouvindo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No começo era estranho, quando a luz do sol aparecia mesmo quando eu estava protegido o desconforto era enorme, ficava acordado sentindo percebendo tudo ao meu redor, mas nada fazia sentido e minhas entranhas se reviravam constantemente. As noites após ter passado os dias acordados não eram diferentes parecia que eu adoecia em ficar ouvindo a sinfonia do dia, então pensei se Deus protege seus filhos da noite através do sono e os deixa revigorados para enfrentar suas provações no dia seguinte eu deveria fazer o mesmo e como um animal noturno, passei a dormir pelos dias, isso me levou a caminhos estranhos percebi que o &#8220;sono&#8221; era muito mais do que aparentava, apesar de dormir dependendo do que acontecia a minha volta acordava totalmente perturbado, passando a escolher lugares mais ermos para dormir e deixando a caçada para as cidades.</p>
<p>Isso garantia meu bem estar e meu vigor para beber mais do sangue de sus filhos. Nessa época achava o livre arbítrio uma piada, acreditava que não passávamos de cães sendo adestrados com o que deviam e não deviam fazer, por que fui PUNIDO?</p>
<p>Um pai sempre se cega de raiva quando vê seu <strong><em>FILHO</em></strong>  sangrando. Com o tempo fui dominando quem eu era e descobrindo o que existia dentro de mim, ouvia pensamentos, percebia tudo que havia a minha volta e descobri como dormir tranquilo, mesmo no meio das grandes cidades que se formavam.</p>
<p>Pelo visto o mundo mudou muito, vejo o medo que eles sentem do povo do oriente, vejo guerras forjadas, pequenos demônios em tronos de poder, regendo através de cordas manipulando, pelo que estou sentindo dormi dessa vez por cerca de 53 anos. 20 anos a mais do que meu último sono, não existe mais guerra fria, os criadores do papel são uma ameaça, potência, piratas e etc.</p>
<p>Mesmo dormindo continuei atualizado sobre tudo a minha volta, minha consciência está cada vez maior sobre os meus arredores e não é difícil organizar tantas informações, esta simples caminhada pela rua fitando a mente dos mortais, me ajuda a organizar os fatos que não presenciei e algumas vezes até mesmo sentir a dor deles nos acontecimentos, ela se delicia quando sente a dor alheia.</p>
<p>Da mesma maneira que no início me protegia da sinfonia da manhã dormindo, hoje me protejo também da sinfonia da noite, ainda não consigo me manter acordado durante o dia mas não sinto a noite me tocar como antes.</p>
<p>Depois de andar mais alguns quarteirões poderei caminhar de volta para casa e pensar no sonho.</p>
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		<title>1.2 Predador</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 15:16:10 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O caminhar pela cidade trás impressões interessantes, por mais que eu tente ocultar meus extintos é quase que impossível não notar minhas presas e não me adaptar a elas. Caçar ratos para me alimentar é algumas vezes muito mais desgastante do que me alimentar de mortais. O animais notam minha presença e já percebem o predador, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O caminhar pela cidade trás impressões interessantes, por mais que eu tente ocultar meus extintos é quase que impossível não notar minhas presas e não me adaptar a elas. Caçar ratos para me alimentar é algumas vezes muito mais desgastante do que me alimentar de mortais. O animais notam minha presença e já percebem o predador, os mortais não, eles já se desconectaram tanto de si mesmos e da consciência de seus corpos, suas mentes estão tão perdidas em devaneios pessoais e estímulos diversos que não percebem os mais sutis dos movimentos, cheiros e reações.</p>
<p>Não é muito difícil para mim ao chegar em um ambiente denso de presas escolher qualquer uma.</p>
<p>Uma simples conversa ou observação já me diz muito sinto suas necessidades anseios, sou capaz de dizer agir e me posicionar da maneira como esperam e tudo de maneira natural, como um animal me adapto. Se uma presa é desafiadora, sinto meu corpo se modificar para sobrepujá-la, a alimentação que no começo era forçada a cada momento que tomava consciência de mim mesmo foi se tornando cada vez mais fácil, a sedução é uma arma muito poderosa, fácil de lidar e manipular, afinal espreito os pensamentos, sugestiono até mesmo sua vontade.</p>
<p>Sem nem mesmo pensar a simples proximidade me torna o que necessito, posso exalar o cheiro correto, aquecer meu sangue momentaneamente e retirar a palidez da minha pele ou até mesmo admito que na maioria das vezes minhas presas preferem meu lado exótico. Meu olhar varia do cativante ao ameaçador, isso tudo apenas para suprir a necessidade de me alimentar e num instante tenho a presa em minhas mãos, entorpecida sentido um prazer inigualável sem saber ao certo o que lhe aconteceu.</p>
<p>A besta se alegra com lembranças, ela ama quando atraio e traio, mas também é apaixonada quando caço e mato. A dor, o pânico, o prazer e a entrega, no fim somente uma linha tênue os separam e em todas elas residem minhas perdições.</p>
<p>Já me deliciei muito com banquetes onde sorvia além do que meu corpo suportava, acordava banhado em sangue. Hoje evito ao máximo tais pensamentos, já avisto minha casa vou apressar os passos para não ser tentado, vi mortais demais para uma única noite.</p>
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		<title>1.3 Dons e maldição</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jan 2009 20:08:42 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Algo próximo acontece, um cheiro de ódio no ar, e finalmente sangue, alguém se feriu. Eu poderia ir lá ajudar, o tempo que vivi já me fez perceber que não adiantaria eu interferir nesse tipo de questões mortais, posso estar salvando uma vida ou amaldiçoando-a com meu toque.
Poderia avisar alguém sobre o que eu ouço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Algo próximo acontece, um cheiro de ódio no ar, e finalmente sangue, alguém se feriu. Eu poderia ir lá ajudar, o tempo que vivi já me fez perceber que não adiantaria eu interferir nesse tipo de questões mortais, posso estar salvando uma vida ou amaldiçoando-a com meu toque.</p>
<p>Poderia avisar alguém sobre o que eu ouço e sinto, mas conhecendo minhas habilidades posso estar sentindo algo que está acontecendo a 1 quilometro. E pelo que percebo ninguém seria rápido o suficiente para ajudá-la. Correria mais rápido do que muitos, ultrapassaria obstáculos com apenas um salto e conseguiria resistir as balas do ladrão.</p>
<p>Talvez simplesmente o brilho dos meus olhos no beco escuro fosse o suficiente para afugentá-lo. Poderia dominá-lo ou até mesmo submetê-lo a mim e o prostraria de joelhos a minha presença. Poderia matá-lo destruindo sua carne como lobo, ou me aproximando sorrateiramente como morcego. Posso ser sutil ou como uma máquina avassaladora destruindo tudo ao caminho gerando pânico, mas por mais que quisesse que meus atos sa ajudassem, o cheiro inebriante de seu sangue que já está exposto me descontrolaria e ela não passaria de um banquete.</p>
<p>O uso de meus poderes é como um vício e preciso lutar contra ele, é estranho, mas apesar de todo tempo eu negar minha existência, quem eu sou, ainda assim ainda não enxergo uma estrada para luz.</p>
<p>Existe um enigma sobre tudo que eu sou e tudo que eu tenho, o meu despertar já causa confusão nesse local, meu caminhar já fizeram que coisas se movimentem nas sombras mesmo que eu reduza minha existência ao caminhar no meio dos mortais, ela atrai algo pernicioso que espreita e começa a devorá-los por dentro os impulsionando ao que há de mais vil em suas almas preciso acelerar os passos, quero chegar em casa antes que outro mal se inicie pela minha presença.</p>
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		<title>1.4 Vida após a morte</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 16:23:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Chego em minha casa, apesar dos vizinhos não estarem muito próximos,  ao passar pelas suas casas os invejei pelo cheiro de vida que existe nelas. Ao me deparar com a fachada de minha residência posso notar que está tudo morto a sua volta apesar de notar os esforços de meu último lacaio em deixá-la o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" title="rosa" src="http://edumorcillo.com.br/reflexos/wp-content/uploads/2009/04/rosa.png" alt="rosa" width="180" height="366" float="left" /></p>
<p>Chego em minha casa, apesar dos vizinhos não estarem muito próximos,  ao passar pelas suas casas os invejei pelo cheiro de vida que existe nelas. Ao me deparar com a fachada de minha residência posso notar que está tudo morto a sua volta apesar de notar os esforços de meu último lacaio em deixá-la o maior tempo possível habitável e conservada.</p>
<p>As roseiras e toda a vegetação que a cercava está seca, sem vida não há nada respirando aqui. Talvez mudanças sejam necessárias. Toco o solo, sinto, rasco meu pulso com os dentes e deixo o sangue fluir e cobrir uma pequena porção. Quase que imediatamente já sinto uma respiração fraca e breve do que me cerca. Amanhã as roseiras já estarão floridas eu penso, estou morto, mas ironicamente tenho meios de trazer a vida.</p>
<p>Quando me levanto percebo uma luz ao longe, uma mulher está na janela, olhando, como se me observasse, a esta distância não há nada que ela possa notar. Ela apaga a luz quando me volto totalmente em sua direção.</p>
<p>O mais estranho é&#8230; como ela estava me observando e não percebi nada? As décadas de sono devem ter me deixado enferrujado.</p>
<p>O dia se aproxima, dormirei e amanhã me voltarei a solucionar o sonho.</p>
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		<title>1.5 Fragmentos</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 17:02:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Mais uma noite após meu longo descanso, hoje minha mente já está pronta pra juntar os pedaços, sonhei durante décadas mais ao contrário das outras vezes que optei em dormir por tanto tempo, dessa vez sonhava de maneira quase que completa, são poucos os pedaços que tenho que juntar.
Após saciar minha fome com algum rato, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma noite após meu longo descanso, hoje minha mente já está pronta pra juntar os pedaços, sonhei durante décadas mais ao contrário das outras vezes que optei em dormir por tanto tempo, dessa vez sonhava de maneira quase que completa, são poucos os pedaços que tenho que juntar.</p>
<p>Após saciar minha fome com algum rato, vou a janela e vejo o jardim vivo, respirando sinto as roseiras e as árvores tentarem se curvar em minha direção como se pedissem mais de meu sangue. Vou regá-las enquanto penso.</p>
<p>O cheiro do jardim agora oculta o cheiro de morte que esse grande sarcófago que chamo de casa é, enquanto ouço cada gota tocando a vegetação e a fazer estremecer, minha mente corre pelo mundo sentindo antigos companheiros, pessoas, criaturas, amaldiçoados que durante minha existência tive contato, o simples toque de meu pensamento fazem algum deles reagir percebendo que estou acordado novamente e &#8220;vivo&#8221;. Esse simples exercício clareia as imagens, as une e confirma meus pressentimentos. Sim agora eu sei com quem sonhei e o que eu vi, mas existe uma quarta presença, quase imperceptível pra mim, é como se ela não existisse, seria essa parte uma premonição&#8230;</p>
<p>Já tive algumas mas sempre conseguia encontrar uma âncora atual que me ligasse a ela, dessa vez nada, não faço idéia quem seja o jovem dos meus sonhos apesar da familiaridade, mas os outros reflexos que vi no espelho tenho certeza, preciso encontrar novamente a Sedutora e o Lobo.</p>
<p>Uma brisa, sinto um perfume, novamente a janela acesa da noite anterior, mas agora sem vulto e sem mulher, apenas a lembrança de que alguém estava ali representada pelo tremular das cortinas. Estranho, é a segunda vez que sou surpreendido. Talvez deva visitá-la, mas isso vai me levar próximo demais do sangue mortal.</p>
<p>Talvez isso seja um aviso do quão devo me recompor antes de encontrar e confrontar os amaldiçoados de meu sonho.</p>
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		<title>1.6 A pergunta&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 01:39:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[A Trindade]]></category>
		<category><![CDATA[Capítulo 1]]></category>
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		<description><![CDATA[Quase imperceptível para mim, mas quando olho o jardim pela janela, sinto as rosas mais vermelhas que o normal, seus espinhos maiores, e o cheiro delas misturados a um leve aroma de sangue. Isso é um sinal de que meu corpo já se fortaleceu desde meu último despertar.
Negar o sangue humano torna minha recomposição muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quase imperceptível para mim, mas quando olho o jardim pela janela, sinto as rosas mais vermelhas que o normal, seus espinhos maiores, e o cheiro delas misturados a um leve aroma de sangue. Isso é um sinal de que meu corpo já se fortaleceu desde meu último despertar.</p>
<p>Negar o sangue humano torna minha recomposição muito mais lenta.</p>
<p>Hoje estou pronto, sento numa pequena poltrona que me serviu por séculos, relaxo, deixo minha mente se soltar, minha percepção se estende. Então com um simples pensar meu sangue fervilha dentro de mim, minha pele ganha o rubor dos vivos, o poder cresce e toma conta de mim, mantenho-me focado em alcançar uma única pessoa, finalmente a vejo&#8230;</p>
<p>Ela vira em minha direção com rapidez e grita:</p>
<p>- SAIA DE MINHA MENTE VAMPIRO!</p>
<p>- Acalme-se mulher, achei que todos esses anos afastados de você me trariam no mínimo uma recepção mais calorosa.</p>
<p>- Por anos, espreitei você esperando que morresse, até que desisti e toda a noite comemorava seu desaparecimento, agora você toca minha mente novamente sem permissão.</p>
<p>- Calada, não vou esperar por sermões de alguém que se mantém viva através da libido dos mortais. Você os seduz e devora.</p>
<p>- Diga-me Vlad, afinal por que se dar ao trabalho de tocar as trevas para falar comigo, deseja algum favor novamente?</p>
<p>Ou apenas quer desfrutar de mim?</p>
<p>- Não pronuncie este nome, há tempos que não atendo por ele e gostaria que permanecesse no passado. E você diga-me por qual nome atende agora?</p>
<p>- Afinal o que quer sugador do néctar sagrado, diga, não tenho tempo ou desejo participar de seus jogos mentais.</p>
<p>- Você pode vir até mim?</p>
<p>- Por que não fizeste como no passado e me convocaste?</p>
<p>- Porque preciso de você ao meu lado por livre arbítrio.</p>
<p>- Para que?</p>
<p>- Tudo depende de uma única resposta a minha pergunta.</p>
<p>- Vamos empalador, diga logo o que veio me propor&#8230;</p>
<p>Ao ouvir a palavra empalador a besta de dentro de mim se contorce e sorri, chego a suar sangue para controlar meu corpo a não recorrer a velhos instintos. Ela percebe e sorri.</p>
<p>- Vamos Vlad, ou ainda está perdido no passado&#8230;</p>
<p>- Apenas RESPONDA! &#8211; me descontrolo.</p>
<p>- VOCE AINDA DESEJA MORRER?</p>
<p>O silêncio percorre minha mente após a pergunta e repentinamente saio de meu transe.</p>
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