Já é manhã e posso ver os corpos espalhados pela casa. Me sinto completo, forte. Mas não estou satisfeito. Eles nunca vão ser capazes de me satisfazer. A alma humana possui um néctar especial, inigualável, e me lembra a primeira vez que senti o doce sangue do Filho.
Os ratos podem ter me saciado. Mas, mesmo com o descanso longínquo, não consigo esquecer o sabor e um dos poucos desejos que me resta. Sei que, quando tiver meu primeiro contato com mortais, será difícil segurar o que existe dentro de mim.
Espero já estar forte o suficiente para resistir e continuar em minha dieta.
Meu corpo se fortalece. Começo a sentir e perceber muito além da construção onde estou. Escuto a sinfonia novamente. Cada um de meus passos arranha suas notas. Ela me conta que existem mortais por perto. Recuso a ouvir; sinto a presença de seus filhos, mas não me submeterei a pecar sobre eles. A fome e meu demônio interno não serão mais fortes do que meus anseios. Hoje, sinto fome de vida. Não mais da vida alheia, mas da minha própria vida.