Quase imperceptível para mim, mas quando olho o jardim pela janela, sinto as rosas mais vermelhas que o normal, seus espinhos maiores, e o cheiro delas misturados a um leve aroma de sangue. Isso é um sinal de que meu corpo já se fortaleceu desde meu último despertar.

Negar o sangue humano torna minha recomposição muito mais lenta.

Hoje estou pronto, sento numa pequena poltrona que me serviu por séculos, relaxo, deixo minha mente se soltar, minha percepção se estende. Então com um simples pensar meu sangue fervilha dentro de mim, minha pele ganha o rubor dos vivos, o poder cresce e toma conta de mim, mantenho-me focado em alcançar uma única pessoa, finalmente a vejo…

Ela vira em minha direção com rapidez e grita:

- SAIA DE MINHA MENTE VAMPIRO!

- Acalme-se mulher, achei que todos esses anos afastados de você me trariam no mínimo uma recepção mais calorosa.

- Por anos, espreitei você esperando que morresse, até que desisti e toda a noite comemorava seu desaparecimento, agora você toca minha mente novamente sem permissão.

- Calada, não vou esperar por sermões de alguém que se mantém viva através da libido dos mortais. Você os seduz e devora.

- Diga-me Vlad, afinal por que se dar ao trabalho de tocar as trevas para falar comigo, deseja algum favor novamente?

Ou apenas quer desfrutar de mim?

- Não pronuncie este nome, há tempos que não atendo por ele e gostaria que permanecesse no passado. E você diga-me por qual nome atende agora?

- Afinal o que quer sugador do néctar sagrado, diga, não tenho tempo ou desejo participar de seus jogos mentais.

- Você pode vir até mim?

- Por que não fizeste como no passado e me convocaste?

- Porque preciso de você ao meu lado por livre arbítrio.

- Para que?

- Tudo depende de uma única resposta a minha pergunta.

- Vamos empalador, diga logo o que veio me propor…

Ao ouvir a palavra empalador a besta de dentro de mim se contorce e sorri, chego a suar sangue para controlar meu corpo a não recorrer a velhos instintos. Ela percebe e sorri.

- Vamos Vlad, ou ainda está perdido no passado…

- Apenas RESPONDA! – me descontrolo.

- VOCE AINDA DESEJA MORRER?

O silêncio percorre minha mente após a pergunta e repentinamente saio de meu transe.

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