Acordo, já se passaram dois dias desde o contato com ela e nada. Já tentei sentir seus pensamentos, procurar por respostas, mas parece que tudo está fechado para mim. Talvez eu tenha exagerado um pouco, não sei, posso dizer por mim, mas quando se vive muito você acaba preferindo que algumas coisas ocorram de maneiras mais imediatas, rodeios se tornam um jogo apenas prazeroso com suas presas, fora isso a espera se torna uma monotonia.
O silêncio me perturba. Não encontro sua mente de maneira nenhuma, mas sei o quanto ela é ardilosa e que isso seja apenas um sinal para que eu tome mais cuidado.
A casa está molhada, uma tempestade está caindo violentamente e muito mal havia notado. Começo a fechar as janelas do andar de baixo, as deixo sempre aberta para que o ar circule e leve o cheiro de morte para longe, apesar de a muito acreditar que isso não seja mais possível.
Quando estou perto da porta noto um vulto parado próximo a ela, como predador meus instintos se acendem e sinto o perfume, o mesmo que já havia sentido antes, e agora mais forte eu tenho certeza é um cheiro peculiar da flor anêmona. Sem me preocupar devido a silhueta feminina, penso que ela finalmente chegou e de alguma maneira se ocultou de mim.
Abro a porta rapidamente e pra meu espanto, vejo apenas uma mulher, jovem com cabelos e roupas bem molhados e assustada. Ela me diz tremendo que estava batendo a porta um bom tempo pedindo ajuda, permito que ela entre pra se secar, a tempestade realmente está muito forte.
Nada tinha para lhe oferecer a não ser uma toalha e um cobertor, ela se seca no banheiro e retorna envolvida no cobertor tentando se aquecer, evito o contato direto, posso me sentir tentando a sugar a vida de seu corpo, afinal me pergunto em pensamento por onde anda a bruxa.
Minha visita percebe que apesar da minha presença física meus pensamentos vagueiam longe e por fim ela fala.
- Me desculpe, eu moro na casa próxima aqui, apesar de ser possível vê-la a tempestade me deixou bem assustada.
- De qual casa vocês está falando?
- Me desculpe meu nome é Wanda, moro na próxima quadra, acho que você já me viu, e o seu?
- É… me desculpe, como disse?
- Meu nome é Wanda e o seu?
Paro e penso um pouco – De onde mesmo eu tinha visto você?
- Na noite em que você regava o jardim eu o observava.
Realmente o cheiro é o mesmo daquela noite, respiro fundo, meus ouvidos e meus pressentimentos indicam que a tempestade vai persistir, será uma noite longa e em minha cabeça só residem dúvidas sobre tudo isso que está acontecendo.
***FIM DO CAPITULO 1***
2 Comments(+Add)
Eu tenho medo de vc….rsrsrs
Gostei do que li. Espero poder ler mais pois estou curiosa agora para saber o que mais aconteceu! Parabens!